
Vou tentar tornar mais clara minha reflexão tomando como exemplo uma repartição pública.
Sem querer colocar todo mundo no mesmo saco, mas a maioria das instituições governamentais são vistas como lugares desorganizados, precários e pouco eficientes, onde as coisas até acontecem, mas de forma muito morosa. Em muitos desses lugares as pessoas apenas estão presentes. Batem cartão na entrada e na saída, mas produzem pouco e empurram com a barriga tudo que deveria e poderia ser feito de forma rápida e excelente. Alguns chegam a ponto de nem comparecerem diariamente ao local de trabalho se dando ao luxo de apenas assinarem o ponto no final do mês. O que quero dizer com isso?
Essa mesma realidade pode ser vista na vida de muitos de nós. Será que também não estamos burocráticos em nosso relacionamento com Deus?
Quantas vezes vamos a igreja apenas bater ponto? Freqüentamos aos cultos toda semana, fazemos nosso devocional diária e regularmente, oramos, lemos a Bíblia, participamos de algum ministério, mas a questão é, de que forma estamos fazendo as coisas? Com fervor? Com alegria? Ou por obrigação, empurrando tudo com a barriga? Para Deus não basta fazermos as coisas,tão importante quanto isso é como fazemos as coisas.
Oração sem entrega e quebrantamento são apenas palavras vazias. Leitura da Palavra sem a devida atenção para se ouvir deus falar é apenas religiosidade. Fazer parte de um ministério sem amor e dedicação é ativismo, desperdício de energia. Ir ao templo sem a consciência de culto é perda de tempo, é ser burocrático, é bater cartão.
Quantas vezes apresentamos nosso currículo religioso e burocrático para Deus baseados em números e performance fazendo dele um instrumento para barganharmos algumas benções com o Senhor, como quem diz “Deus faça isso, Pai faça aquilo. Eu tenho estado sempre na sua casa, eu oro, eu leio a tua Palavra, eu faço a sua obra ...”. Como se fazendo isso o beneficiado fosse Deus, como se Ele precisasse dessas coisas e se nós não as fizéssemos Deus estaria perdido. Talvez exista até alguém que pense “O seria de Deus sem mim”.
Precisamos abandonar essa espiritualidade burocrática cheia de formas e aparência que não nos faz crescer, amadurecer e frutificar. Onde o tempo passa e continuamos as mesmas pessoas: descuidados, desorganizados, lentos, morosos no crescimento e no aprendizado das coisas espirituais. Não sejamos funcionários públicos espirituais.
“Não sejais vagarosos no cuidado, mas sede fervorosos no espírito”. Rm.12:11.
Pense nisso.
